terça-feira, 2 de julho de 2013

A CADEIA E O TEMPO.


Durante muitos anos funcionou em Icó, na Casa de Câmara, no centro histórico da cidade, a cadeia pública que abrigava aqueles que feriam o ordenamento jurídico penal.

Presos provisórios ou condenados ficavam por uns bons períodos ali trancafiados.

Além de chamar a atenção por sua beleza arquitetônica, com arquitetura neoclássica, a cadeia icoense tinha algo de muito pitoresco e histórias marcantes.

Francisco Cizota Tavares, o Cizota (Agente Prisional), contava lances imaginários e verdadeiros. Dentre os quais, que o “sino” posto na entrada do ergástulo nunca poderia ser tocado, pois era prenúncio de mortes e violência.

O carcereiro Cizota também chamava pra si algo de diferente, principalmente por ter o “tronco” bem maior do que o restante do corpo e sempre ter em seu poder a “chave da cadeia”, que pesava vários quilos e era enorme.

O comportamento do preso, repassado ao juiz da comarca, era feito verbal, pois Cizota escrevia poucas linhas. Foi-se da vida terrena, mas virou marco de nossa cultura e história recentes.

No livro do escritor icoense, Dr. Francisco Peixoto, tem diversas passagens deste personagem de nossa história. 
Pois bem, ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 2001-2002, através do projeto nacional MONUMENTA, o Icó e seu patrimônio histórico receberam vários recursos do Governo Federal, inclusive do Governo do Estado, para a recuperação e preservação de suas igrejas e casarões.

Daí surgiu à idéia de transformar a velha cadeia em centro de artes, cultura e memória; o museu do ciclo do couro; um centro de informações turísticas; lojas de artesanato; restaurante, biblioteca municipal e a casa do cidadão, unidade especializada em expedir documentos pessoais para a população.

Doravante, os presos foram transferidos dali, para uma “cadeia improvisada”,  à época, sem segurança alguma, na avenida Ilídio Sampaio, para que as obras tivessem início, mesmo sem higiene e condições humanas para a permanência destes. A estada seria efêmera, diziam.

O padre José Augusto fez um grande levante, tendo em vista a situação de inanição e adequações, vistos naquele local, para que surgisse uma solução para os presos.

O Governador do Estado, à época, Dr. Lúcio Alcântara, um amante das artes e da cultura dos nossos povos, prometeu construir uma nova cadeia no município, distante do centro histórico e dentro das normas estabelecidas.

Em 2006, em pleno período eleitoral, teve, enfim, o início da obra (cadeia de Icó), localizada agora no perímetro irrigado Icó\Lima-Campos.
Hoje, passados poucos anos de sua construção, a cadeia de Icó já se encontra completamente lotada e, pasme, na iminência de cair a qualquer momento; muros e celas rachadas. Presos temerosos.
Não é a toa, que vez por outra, um preso foge e sai cantarolando: "este não é o meu lugar, não vim aqui pra sempre ficar".  

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